Evento online celebra centenário de Paulo Freire e abre ciclo de palestras - Edinho Silva
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Evento online celebra centenário de Paulo Freire e abre ciclo de palestras

O prefeito Edinho e autoridades municipais participaram da live de abertura do Ciclo de Palestras “Diálogos com Paulo Freire”, na noite de sexta-feira (27), pelo YouTube e pelo Facebook da Prefeitura. O objetivo do ciclo de palestras é celebrar Paulo Freire, patrono da educação brasileira e defensor de uma escola humana e de uma sociedade justa e igualitária, que estaria completando 100 anos se ainda estivesse vivo.

“Fico muito feliz ao ver nossos profissionais da Educação mobilizados para a organização dessa série de eventos online que trazem as reflexões de Paulo Freire para o nosso dia a dia. Minha saudação especial a todas as educadoras e todos os educadores que estão lutando contra as adversidades da pandemia para levar educação de qualidade aos nossos alunos. Isso é ter empatia, colocar-se no lugar do outro, seguir os ideais de Paulo Freire em busca de uma sociedade sem desigualdade de oportunidades”, destacou o prefeito Edinho.

A vereadora Fabi Virgílio (PT), que é presidente da Frente Parlamentar de Cultura e Educação da Câmara Municipal, parabenizou todos da organização da atividade. “Paulo Freire foi um educador que lutou tanto pela escola pública. Educador que teve como objetivo de vida a luta por uma educação que fosse libertadora e inclusiva”, afirmou.

Também presente na live, o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) declarou que Paulo Freire “é sinônimo de libertação, de educar para libertar, de educar para a cidadania”. “Paulo Freire é o exemplo do que nós precisamos reconstruir no Brasil. A educação não é um ato de uns para os outros, é um ato de todos pelo coletivo”, opinou o deputado.

A secretária da Educação, Clélia Mara dos Santos, destacou o contexto histórico da importância de Paulo Freire na sociedade e lembrou que 40% da população brasileira era analfabeta na década de 1960, quando Paulo Freire implementou um novo modelo de educação e alfabetização de adultos.

“É um dos nomes mais relevantes da educação nacional, o autor brasileiro mais citado internacionalmente por diferentes universidades, um brasileiro que tem 35 títulos Doutor Honoris Causa pelo mundo afora. Paulo Freire, possivelmente, seja um dos educadores de quem mais falamos e quem menos conhecemos. As pessoas não sabem quem é Paulo Freire”, pontuou a secretária.

“Queremos que, ao fim desse ciclo, a gente tenha conhecido um pouco mais dessa figura tão relevante e tão importante para todos nós. Precisamos pensar no que esse momento de convivência na pandemia nos ensinou e pode nos ensinar à luz desse educador que dizia que o ato de educar é, primeiramente, um ato de amor. E um ato de amor é um ato de coragem”, complementou Clélia.

A secretária de Direitos Humanos e Participação Popular, Amanda Vizoná, disse esperar que “o ciclo contribua para que possamos construir o caminho da generosidade e da solidariedade pregadas por Paulo Freire” e que “o coletivo se sobreponha ao individual para que a educação seja emancipadora”.

Representando a sociedade civil, a presidente do Conselho Municipal da Educação, Aline Motta, agradeceu as oportunidades de participação popular abertas pelo governo municipal e destacou a educação como instrumento de transformação social, como pregava Paulo Freire. “A gente está vivendo em um momento em que tantos direitos estão sendo tirados. Foi muito necessário fazer esse ciclo do centenário de Paulo Freire. Fico honrada de estar com vocês e fazer essa abertura.”

Palestrantes
A agenda de palestras abordará diversos temas como a Educação de Jovens e Adultos, a democracia, entre outros. Os palestrantes confirmados são os professores Mario Sergio Cortella (filósofo, escritor, educador, palestrante e professor universitário), Milton Lahuerta (Faculdade de Ciências e Letras da Universidade Estadual Paulista – UNESP/ Campus de Araraquara), Ulisses Araújo (Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo), Rudá Ricci (Instituto Cultiva), Nilma Lino Gomes (Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais, secretária de Políticas de Promoção da Igualdade Racial -SEPPIR (2015) e ministra das Mulheres, da Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos em 2015 e 2016) e Sérgio Haddad (Instituto Ação Educativa, professor do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade de Caxias do Sul).

A iniciativa, organização e realização são da Secretaria Municipal da Educação e do Conselho Municipal de Educação, que têm como parceiros a Câmara Municipal, por meio da Frente Parlamentar em Defesa da Cultura e Educação, a Secretaria de Direitos Humanos e Participação Popular e a Coordenadora Executiva de Direitos Humanos. Confira a programação completa no site da Prefeitura: www.araraquara.sp.gov.br.

Paulo Freire
Reconhecido no mundo inteiro como educador que conseguiu pensar a educação para além do espaço escolar, em sua indissociável conexão com o mundo, seu pensamento e contribuição foram incorporados por diversas instituições no Brasil e no mundo.

Paulo Freire conseguiu demonstrar através do exemplo, dos seus livros, palestras e proposições, como o ato de ensinar também é uma forma de desvelar o mundo e suas injustiças. Conferiu à educação papel central na transformação de homens e mulheres e, portanto, da própria sociedade.

Seus livros “Pedagogia do Oprimido” e “Pedagogia da Autonomia” fazem parte da lista bibliográfica fundamental de diversos cursos universitários, sendo a “Pedagogia do Oprimido” o único livro brasileiro a aparecer em lista recente dos 100 títulos mais pedidos pelas universidades de língua inglesa.

Exemplo de luta e compromisso com a educação, a juventude de Paulo Freire também foi marcada por lutas, sendo que logo aos 10 anos perdeu seu pai; sua mãe fez o máximo esforço para lhe proporcionar uma boa educação formal e, diante das perdas e dos esforços familiares, conseguiu concluir seus estudos e ingressar na Faculdade de Direito.

Foi durante a graduação que o educador teve suas primeiras experiências em sala de aula, obtendo contato com realidades distintas e alunos de diferentes níveis de formação. Seu método foi utilizado em 1962 com grande êxito em Angicos, interior do Rio Grande do Norte, quando cerca de 300 adultos moradores da cidade foram alfabetizados em 40 horas de estudo.

O Golpe Militar de 1964 interrompeu as tentativas de aplicação de outras experiências no Brasil; pouco depois Paulo Freire esteve preso e logo se viu no exílio, assim, o autor e a obra contornaram os obstáculos e começaram a ser experimentados em outros países nos anos seguintes. O autor retornou do exílio em 1980.

Além de ministrar aulas na Unicamp, aproximou-se de Dom Paulo Evaristo Arns, que o acolheu na Pontifícia Universidade Católica, em São Paulo. Nos anos 1980, Paulo Freire consolida sua trajetória acadêmica e, em 1989, o intelectual assume o cargo de secretário Municipal de Educação de São Paulo, na gestão de Luiza Erundina.

Paulo Freire faleceu em 2 de maio de 1997, aos 75 anos. Em 2012, lei sancionada pela ex-presidente Dilma Rousseff reconheceu Paulo Freire como Patrono da Educação Brasileira (a lei se origina em projeto de autoria da deputada federal Luiza Erundina, também ex-prefeita de São Paulo).

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