Presidente nacional do PT avalia o simbolismo do ato deste domingo (16), no estádio 1º de Maio, em São Bernardo do Campo, abrindo a campanha à reeleição de Lula
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, destacou o primeiro ato de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa presidencial, neste domingo (16), na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, como um momento histórico, do qual ele está muito feliz e orgulhoso de participar. Para Edinho, considerando toda a trajetória de Lula, o ato quer valorizar as vitórias da democracia brasileira.
Em entrevista à Rede PT de Comunicação, Edinho enfatizou que foi no atual Estádio Municipal 1º de Maio, a antiga Vila Euclides, que eclodiram as grandes mobilizações trabalhistas do fim dos anos 1970 que projetaram um líder sindical para a história e para a política. “Fico muito feliz, como presidente nacional do PT, em vivenciar esse momento, que é histórico”, disse.
Edinho Silva era adolescente em 1979 e diz ele que, antes de ser petista, foi um jovem lulista. E não por acaso. A força que emergia da luta trabalhista liderada por Lula naquela época, em plena ditadura, contaminava o Brasil.
“Lula representava um movimento que enfrentava a ditadura militar, enfrentava o sistema, derrotava uma concepção de organização política elitizada”, lembra o presidente nacional do PT.
Nesta disputa eleitoral que será a última de Lula, conforme ele já adiantou, o líder promove um reencontro com a história.
Inspiração
Nascido e criado na periferia de Araraquara, Edinho conta que questionava, na adolescência, “as coisas dadas como normais no ambiente em que vivia”.
“No meu bairro não tinha transporte público, não tinha um posto de saúde, não tinha creche, nem escola, nem pavimentação asfáltica. Para não sofrer bullying na escola, era preciso colocar saquinhos plásticos no tênis para não chegae imundo de lama na escola”, relata o presidente do PT.
Segundo Edinho, Lula foi fundamental para a formação de sua consciência crítica, quando defendia o direito dos trabalhadores e a luta contra as injustiças.
“Aquilo para mim foi determinante para que eu começasse a vincular a minha militância na igreja com aquilo que o Lula propunha, e foi me despertando. Fui fui entrar no PT, para você ter uma ideia, em 1985”, relembra Edinho.
Por conta dessa inspiração, a largada da campanha de 2026, no dia 16, promete ser, para todos os petistas e para os brasileiros que recordam o passado e sonham com o futuro do Brasil, pura emoção.
O Lula líder sindical foi, segundo Edinho Silva, “a voz que enfrentou a ditadura militar e uma lógica em que só a elite podia falar o que pensava, só a elite podia se manifestar, só a elite podia fazer política”. “Lula, efetivamente, foi o maior antissistema da história do país. Ele quebra com tudo isso. E isso é muito forte, historicamente.”
Jovem precisa conhecer a trajetória de Lula
Edinho reconhece que é difícil para a juventude brasileira atual compreender o significado político de Lula e ter conexão com a história sem ter vivenciado o período de ditadura e o processo de redemocratização, que também teve o petista como uma das figuras centrais no país.
Uma realidade que, na opinião do presidente do PT, a juventude precisa conhecer, entender a postura revolucionária de Lula no passado e esse espírito de mudança que o presidente ainda carrega hoje, mesmo aos 80 anos de idade.
“Hoje a gente posta em redes sociais o que a gente quer, a gente escreve o que quer, muitas vezes exagera, porque muita gente escreve coisas que não deveria escrever, estimula ódio, violência, intolerância. Mas, no final da década de 70, as pessoas eram presas por falarem o que elas pensavam. Elas eram presas por estarem enfrentando aquilo que era o sistema”, ressalta.
E prossegue: “Às vezes, o jovem hoje não consegue dimensionar o que significou um líder nordestino, líder dos trabalhadores, sem ter curso superior, só com curso técnico, esse cara se levantar contra o sistema. Ele enfrenta o sistema. Ele desafia o sistema. E começa ali uma luta para que os de baixo fossem ouvidos, para que os de baixo pudessem falar, para que os de baixo pudessem se manifestar, para que os de baixo pudessem ter direitos.”
O significado da Vila Euclides
O primeiro ato de campanha de Lula na Vila Euclides quer valorizar as vitórias da democracia brasileira, na opinião de Edinho, mas também quer apresentar o presidente como o político capaz, por sua bagagem e por sua sensibilidade, para liderar o Brasil do futuro num momento geopolítico totalmente turbulento.
“Um Brasil que seja soberano, um Brasil que não entregue as suas riquezas para nenhum país estrangeiro, um país que cuide da nossa juventude, que cuide da nossa natureza”, destaca, acrescentando que, com a presidência de Donald Trump estimulando guerras, tarifaços, e conflitos territoriais, o Brasil precisa de um líder do tamanho de Lula para pavimentar o futuro.
E conclui: “Quem que pode nos conduzir nesse processo? O nosso adversário é uma marionete que só serve aos interesses do Trump, que já entregou inclusive o Brasil para o Trump sem ser presidente da República. E de outro lado está um líder que tem experiência, maturidade, capacidade de nos conduzir nesse processo. A Vila Euclides significa isso.”

